quarta-feira, 6 de março de 2013

42 - Hugo Chávez (1954-2013)


 
Pessoal, segue um texto do jornalista Reinaldo Azevedo sobre a morte de Hugo Chávez e sua trajetória política, publicado na versão eletrônica da Veja (5 de março de 2013)

Hugo Chávez (1954-2013)

Em mais de uma ocasião, Hugo Rafael Chávez Frías disse que pretendia permanecer no poder na Venezuela até 2031. Na tarde desta terça-feira, contudo, as complicações advindas de um câncer na região pélvica abreviaram seus planos: a morte de Chávez foi anunciada pelo seu vice, Nicolás Maduro, e pôs fim a um governo que já durava 14 anos. (…) A morte deixa um vácuo difícil de ser preenchido, já que nenhum sucessor tem a mesma ascendência sobre os membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e as Forças Armadas, nem o mesmo carisma para conduzir as massas.

Chávez morre aos 58 anos. No início de dezembro, ele viajou a Havana, Cuba, para submeter-se à quarta cirurgia para combater o tumor diagnosticado em junho de 2011 e que nunca foi tratado de maneira inteiramente transparente pelo governo venezuelano – nem mesmo a localização exata do tumor foi revelada. Em 18 de fevereiro deste ano, após 71 dias de ausência, ele anunciou seu retorno à Venezuela pelo Twitter. No entanto, nenhuma imagem do coronel havia sido divulgada desde então. Ele estaria recebendo tratamento no hospital militar da capital, e nesta terça-feira o governo informou que seu estado de saúde havia sofrido uma piora após “nova e severa infecção”.

A doença abateu um político que vendia uma imagem de invencibilidade e que tentou mantê-la até quando o agravamento de seu estado de saúde já mostrava que a realidade era outra. O carismático Chávez deverá ser lembrando pelo estilo espalhafatoso – que causou a célebre reação do Rei Juan Carlos, da Espanha, num encontro de governantes: “Por que não te calas?” – e pela maneira como usou uma das ferramentas da democracia, as eleições periódicas, para desmontar instituições e concentrar poderes. Ao longo de mais de seus anos no poder, ele criou uma milícia própria, manobrou para garantir resultados favoráveis em eleições, confiscou empresas, perseguiu opositores e a imprensa e submeteu a Justiça aos seus interesses.

Origens
Nascido em 28 de julho de 1954, o segundo filho de dois professores da cidade venezuelana de Sabaneta, no oeste da Venezuela, chegou a pensar em se dedicar profissionalmente ao esporte mais popular do país, o beisebol. A mudança de rumo veio depois que entrou para o Exército, aos 17 anos, com o objetivo inicial de se mudar para a capital, Caracas, onde seu talento esportivo poderia ser mais facilmente reconhecido.

Acabou mergulhando no campo militar e foi um dos fundadores do grupo que ficou conhecido como Movimento Bolivariano Revolucionário – em homenagem ao líder da independência da Venezuela, Simon Bolívar. Começou então a organizar seus aliados para tomar o poder. A tentativa de golpe fracassada contra o governo de Carlos Andrés Pérez, em 1992, resultou na morte de 18 pessoas e na sua prisão. Depois de dois anos preso, ele foi perdoado pelo presidente Rafael Caldera e libertado em 1994.

Quatro anos depois, o coronel paraquedista assumiu o comando da Venezuela ao ser eleito com 56% dos votos. Diante de um cenário político marcado pela corrupção, Chávez apresentou-se como um representante das classes mais baixas que promoveria uma melhor distribuição da riqueza vinda do petróleo. De fato, a maior fonte de recursos do país financia os programas assistencialistas conhecidos como “misiones”, que consistem basicamente em uma fórmula para distribuir pequenas quantias de dinheiro aos beneficiários. Há misiones de alfabetização de adultos, de cooperativas agrícolas, de atendimento médico e de venda de alimentos subsidiados, entre outras. Todas estabeleceram uma dependência entre a população pobre e a figura onipresente de Chávez.

O medo de perder os benefícios sociais ou um cargo público manteve a população fiel ao coronel, em um estilo de governo batizado por opositores de “medocracia”. A suspeita de que o sigilo do voto poderia ser violado buscava alicerces em momentos como o verificado em 2004, quando aliados do presidente elaboraram uma lista com o nome de todos os venezuelanos que foram a favor da convocação de um referendo contra Chávez. Além disso, ao longo de seus três mandatos consecutivos, outras irregularidades foram relatadas, como mesários votando no lugar dos eleitores ausentes ou permitindo que militantes chavistas acompanhassem eleitores na cabine de votação. Até sua saída de cena, as artimanhas foram alteradas, mas nunca eliminadas.

Trajetória
Logo depois de assumir o poder, Chávez convoca um referendo em abril de 1999 e consegue autorização popular para eleger os representantes da Assembleia Constituinte que elaboraria a nova Constituição, da agora República Bolivariana da Venezuela. A Constituição acabou com o sistema legislativo bicameral – desde então, o Parlamento é dominado por aliados do presidente. Novas eleições são convocadas para julho de 2000, é Chávez é eleito com quase 60% dos votos. Pouco depois é aprovada a chamada Lei Habilitante, permitindo ao coronel governar por meio de decretos.

A era Chávez foi um período de intensa polarização no país. Os opositores, vendo na figura do presidente uma ameaça comunista, começaram a alertar a classe média sobre os planos de Chávez de nacionalizar toda a iniciativa privada. Já o mandatário rotulava a oposição como “burguesa” e “oligárquica”, influenciada pelo “imperialismo americano”.

As diferenças ficaram evidentes em 2002, quando Chávez demitiu os gestores da PDVSA e substituí-los por pessoas da sua confiança. A decisão associada à insatisfação com as medidas como a desapropriação de latifúndios, o que acabou provocando uma tentativa de golpe de estado pela oposição. Em protesto, a Fedecámaras, entidade representante dos empresários, convoca uma greve geral para o abril, que termina com 13 mortos. O descontentamento com a liderança de Chávez atingiu também alguns setores do Exército, e antigos apoiadores do coronel o abandonaram. No dia 12 de abril, um grupo de oficiais anuncia que Chávez tinha renunciado e que o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, havia assumido o comando do país. Mas o plano deu certo apenas por 47 horas. Partidários de Chávez, apoiados por comandantes militares, pedem a volta do mandatário e Carmona abandona o posto. Depois de se restabelecer, Chávez passou a reprimir os meios de comunicação independentes, com a acusação de que eles estariam distorcendo as informações em favor da oposição.

Mas a insatisfação resulta em novos protestos e greve geral, que afeta a produção de petróleo na Venezuela. Afetados pelo problema interno, os Estados Unidos pressionam a oposição por um acordo com o governo. Em 2003, uma coligação de partidos opositores convoca um referendo sobre a permanência ou não de Chávez no poder. A consulta popular foi realizada no ano seguinte, com a maioria dos eleitores apoiando o mandatário – sob acusações de fraude por parte da oposição que, no ano seguinte, boicotou as eleições parlamentares.

Em dezembro de 2006, Chávez é reeleito para um terceiro mandato, com quase 63% dos votos. No ano seguinte, ele decide não renovar os direitos de transmissão da emissora de TV mais popular do país, a RCTV. Governando sem oposição no Parlamento, o caudilho ganha poderes para governar novamente por meio de decretos. Ainda em 2007, no entanto, sofre um revés quando os venezuelanos votam contra a proposta de reforma constitucional que previa, entre outras coisas, o direito de reeleição ilimitada para a Presidência. A derrota foi logo revertida pelo ditador, que convocou, no ano seguinte, uma nova consulta popular para aprovar o item que lhe permitiu perpetuar-se no poder. A aprovação, mais uma vez, foi feita com amplo uso da máquina pública.

Em 2010, a oposição recebeu a maioria dos votos na eleição parlamentar, mas Chávez conseguiu garantir mais representantes do PSUV na Assembleia Nacional ao alterar os mapas dos distritos eleitorais, dando mais peso aos votos das zonas rurais, onde tem mais apoio.

Nas últimas eleições presidenciais, em 7 de outubro, Chávez voltou a usar a máquina para impor toda sorte de obstáculos à campanha do opositor Henrique Capriles, governador do estado de Miranda. Logo depois da unificação opositora em torno do nome de Capriles, ele foi punido com um corte no orçamento do seu estado. O governo nacional também tirou de sua administração todos os hospitais e postos de saúde. Ao longo da campanha, Chávez lançou mão do expediente antidemocrático de usar a cadeia nacional para interromper transmissões de atos políticos de Capriles pelas emissoras. E chegou até mesmo a acusar a oposição de fazer bruxaria contra sua campanha eleitoral. Depois do resultado que assegurou um quarto mandato ao coronel, a oposição afastou a hipótese de fraude, mas destacou que a campanha foi feita em condições desiguais.

Bufão
Internamente, Chávez usou as emissoras de TV com desenvoltura para cantar, fazer longos discursos e palhaçadas. Essa personalidade excêntrica também foi apresentada a líderes mundiais em diversas ocasiões. Uma das mais marcantes foi seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2006, quando chamou o ex-presidente americano George W. Bush de “demônio” e recomendou a leitura de um livro de Noam Chomsky, conhecido crítico do governo dos EUA, sobre os perigos do imperialismo americano.

No ano seguinte, no entanto, ele encontrou um interlocutor com pouca paciência. O rei da Espanha, Juan Carlos, disse a Chávez a célebre frase “¿Por qué no te callas?”, durante uma Cúpula Ibero-Americana, em Santiago, Chile. A reação do rei ocorreu depois que Chávez chamou o ex-premiê espanhol José Maria Aznar, um aliado de Bush eleito democraticamente, de “fascista”.

As ações de Chávez no exterior, contudo, foram muito além de bravatas. Além de financiar o assistencialismo que deu origem a uma fiel base eleitoral na Venezuela, o dinheiro do petróleo foi usado pelo ditador para comprar aliados na América Latina, como Cuba e Bolívia. O petróleo também estreitou as relações entre a Venezuela e a China. O governo chinês financia projetos na Venezuela e recebe petróleo em troca. Com isso, Chávez pretendia reduzir a dependência dos Estados Unidos, realidade da economia de seu país, a despeito do declarado antiamericanismo do caudilho – que chegou a ser incluído no currículo das escolas.

Em nome dos aliados, Chávez não se constrangeu ao enviar um navio com petróleo para a Síria em fevereiro de 2012, quando a comunidade internacional tentava isolar o governo de Bashar Assad, e não deixou de apoiar Mahmoud Ahmadinejad mesmo com os esforços do Ocidente para tentar dissuadir o Irã dos planos de desenvolver armas nucleares.

A tentativa de ampliar sua influência na América Latina – por meios tortos ou equivocados – nunca foi abandonada. Suas ações foram desde o financiamento de insurreições nos países vizinhos à criação da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), anunciada em 2005 como uma resposta à Alca, a área de livre-comércio das Américas proposta pelos Estados Unidos, e que se tornou um clube de amigos do Chávez. Em outra frente, o coronel foi grande apoiador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Documentos encontrados em poder da narcoguerrilha colombiana revelaram que a ajuda vinha na forma de dinheiro, guarida, armas, assistência médica.

Uma das últimas intervenções do ditador teve como alvo o Paraguai. Chávez mandou o então chanceler Nicolás Maduro reunir-se com a cúpula das Forças Armadas paraguaias para incitar uma reação a favor de Fernando Lugo, que foi alvo de impeachment em junho do ano passado. As relações entre os dois países estão estremecidas desde então.

Doença
Desde junho de 2011, quando revelou sofrer da doença, o presidente viajou diversas vezes a Cuba para dar continuidade ao tratamento, sem detalhar sua situação. As informações sobre o câncer foram desencontradas desde o início – nem o tipo nem a localização dos tumores foram revelados com exatidão. Até mesmo os comentários de Chávez sobre o câncer oscilavam. Em um momento, ele parecia otimista e se dizia “curado”. Em outro, alertava para uma queda de ritmo. Depois, prometia voltar “com mais energia”.

Em novembro de 2012, seis meses depois da última sessão de quimioterapia e após ficar semanas sem aparecer em público, ele voltou a Cuba para um tratamento especial. Oficialmente, anunciou que as sessões de oxigenação hiperbárica “consolidariam o processo de fortalecimento” de sua saúde. Depois de ficar mais de uma semana na ilha, voltou à Venezuela. Porém, apenas dois dias depois, informou que viajaria novamente a Cuba para se submeter à quarta cirurgia em 18 meses. Admitiu que a nova intervenção cirúrgica apresentava um risco e, pela primeira vez falou em um sucessor: o vice-presidente, Nicolás Maduro. Depois de mais de dois meses internado em Cuba, o governo divulgou fotos do mandatário com as filhas. Ele aparecia sorridente.

Ao longo do tratamento, Chávez apelou para a fé. Durante a Semana Santa de 2012, o ditador venezuelano demonstrou um fervor religioso fora do comum. Logo ele — que costumava condenar a Igreja e toda a sua hierarquia, insultando cardeais, bispos e até mesmo o Vaticano como instituição em seus discursos —, nesse feriado religioso, participou de uma missa em Barinas, sua cidade natal, onde se mostrou um católico devoto.

Chávez casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com quem teve três filhos —- Rosa Virginia, María Gabriela e Hugo Rafael —, e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha, Rosinés. Além disso, também teria mantido uma relação amorosa por cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman, enquanto era casado com sua primeira esposa.

Por Reinaldo Azevedo in http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

41 - Periodização tradicional da história

Segue uma tabela da periodização tradicional da história da humanidade, com as características básicas de cada período. A Pré-História é a época da história das sociedades simples (sociedades sem escrita, com maior igualdade social entre seus membros, sem cidades e sem Estado e governo). Aqui considerei como início da Pré-História o aparecimento do Homo sapiens, a nossa espécie, mas ela pode ser recuada se consideraramos outras espécies do gênero Homo extintas. A história das civilizações, entendidas como sociedades complexas altamente estratificadas (divididas em grupos sociais diferenciados pela riqueza, funções e privilégios), com Estado e governo, cidades e escrita, envolve as Idades Antiga, Média, Moderna e Contemporânea. As Idades Antiga, Média e Moderna são as épocas da história das civilizações pré-industriais, baseadas em sociedades tradicionais, quer dizer, sociedades agrárias, rurais e fortemente religiosas. A Idade Contemporânea, por sua vez, é a época das civilizações industriais, com sociedades modernas (a modernidade), consideradas sociedades industriais, urbanas e seculares ou laicas (com um relativo declínio da religião no conhecimento e na política).
 
 
 
 
   PRÉ-HISTÓRIA
 
  200 mil aC
  Homo Sapiens
 
 
 
  3000 aC
  Escrita
   HISTÓRIA DAS SOCIEDADES SIMPLES
     SEM ESCRITA (ÁGRAFAS)
     MAIOR IGUALDADE SOCIAL
    SEM CIDADES
    SEM ESTADO E GOVERNO
 
   IDADE ANTIGA
 3000 aC
  Escrita
 
 476
 Queda de Roma
  
   HISTÓRIA DAS
   CIVILIZAÇÕES
   
  SOCIEDADES
  COMPLEXAS
 
      DESIGUALDADE
  SOCIAL
 
  CIDADES
 
 
   GOVERNO
 
 
   ESCRITA
 
                 CIVILIZAÇÕES PRÉ-INDUSTRIAIS
                 SOCIEDADES TRADICIONAIS
                 AGRÁRIAS
                 RURAIS
                RELIGIOSAS
 
 
   IDADE MÉDIA
 476
 Queda de Roma
 
 1453
 Queda de Constantinopla
 
 
 IDADE MODERNA
 
 1453
 Queda de Constantinopla
 
 1789
 Revolução Francesa
 
 
 
  
         IDADE
CONTEMPORÂNEA
 
 1789
 Revolução Francesa
 
 
 
 
 
Dias de hoje
     CIVILIZAÇÕES INDUSTRIAIS
      SOCIEDADES MODERNAS (MODERNIDADE)
      INDUSTRIAIS
      URBANAS
     SECULARES/LAICAS: RELATIVO DECLÍNIO DA RELIGIÃO  NO CONHECIMENTO E NA POLÍTICA

sexta-feira, 8 de junho de 2012

40 - Livro “Nem Heróis, Nem Vilões”


“Nem Heróis, Nem Vilões”, do jornalista Moacir Assunção, é um estudo sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), publicado recentemente pela Record (2012). Excluindo os agradecimentos, as apresentações, a bibliografia e o índice, são 413 páginas de texto, dividido em 16 capítulos, mais a conclusão, uma cronologia e três entrevistas. Comecei a ler a obra com uma expectativa positiva. Na orelha do livro, o historiador Francisco Doratioto – talvez a maior autoridade sobre o conflito platino – afirma que “Nem Heróis, Nem Vilões” possui uma “redação clara, direta e de leitura agradável” e que “O leitor certamente terá, com este livro, uma leitura prazerosa”. Na Apresentação, o jornalista Fernando Jorge escreve ser o “livro enleante, capaz de magnetizar o leitor da primeira até a última página”, “fruto de longa e cuidadosa pesquisa” e que “é, acima de tudo um livro inovador” “por ser diferente, original”. Infelizmente, “Nem Heróis, Nem Vilões” não atendeu as expectativas. O texto é confuso e muito repetitivo, indicando uma elaboração rápida e uma revisão descuidada. “Nem Heróis, Nem Vilões” não é uma narrativa cronológica da guerra, mas um conjunto de temas sobre ela. O leitor que não conhece minimamente o conflito terá dificuldades e certamente ficará perdido em muitos capítulos. O livro possuiu, no final, uma boa cronologia que pode ajudar a atenuar esse problema, mas o autor poderia ter incluído, no início da obra, um resumo narrativo da guerra em quatro ou cinco páginas, mais abrangente do que os apresentados nos manuais escolares. Alguns erros históricos foram cometidos, como na afirmação, na pág. 80, de que a Guerra da Cisplatina (1825-1828) foi “movida por D. João VI contra o Uruguai”, quando, de fato, ela ocorreu sob D. Pedro I e foi um importante fator que desgastou o seu governo, como, aliás, a Guerra do Paraguai também desgastou o regime do seu filho D. Pedro II. São falhas que podem ser resolvidas em uma nova edição. De toda forma, o livro vale pelas curiosidades que resgata do conflito, ainda que exija cautela com algumas informações. Não espere uma nova narrativa da guerra mais importante que envolveu o Brasil desde a independência. Para isso, leia “Maldita Guerra” de Francisco Doratioto (Companhia das Letras, 2002). E não espere também um Laurentino Gomes.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

39 - esquema de aula: Revolução Americana



A ERA DAS REVOLUÇÕES (1774-1850)
1. SIGNIFICADO
INICIOU A IDADE CONTEMPORÂNEA (c. 1780 EM DIANTE)
INAUGUROU O LONGO SÉCULO XIX (1774-1914)
A FASE INICIAL DA IDADE CONTEMPORÂNEA MARCADA PELO IMPACTO DA DUPLA REVOLUÇÃO
REVOLUÇÃO ECONÔMICA: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL BRITÂNICA (1780)
REVOLUÇÃO POLÍTICA: REVOLUÇÃO AMERICANA (1774-1787) E REVOLUÇÃO FRANCESA (1789-1799)
REPRESENTOU O NASCIMENTO DA MODERNIDADE OU SOCIEDADE MODERNA
INDUSTRIAL-URBANA
SECULAR/LAICA
CRENÇA NO PROGRESSO
IDEAIS DE ISONOMIA, CIDADANIA E SOBERANIA POPULAR
ESTADO NACIONAL: GOVERNO REPRESENTANTE DA NAÇÃO/POVO
CRIOU AS CONDIÇÕES POLÍTICAS PARA O AVANÇO DA MODERNIZAÇÃO
TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE TRADICIONAL (AGRÁRIA, RURAL, RELIGIOSA) NA SOCIEDADE MODERNA
2. ASPECTOS GERAIS
FOI A ÉPOCA DAS REVOLUÇÕES OCIDENTAIS, REVOLUÇÕES ATLÂNTICAS OU REVOLUÇÕES LIBERAIS DA EUROPA E AMÉRICA
1774-1787. REVOLUÇÃO AMERICANA
1789-1799. REVOLUÇÃO FRANCESA
1791-1804. REVOLUÇÃO HAITIANA
1810-1825. REVOLUÇÕES HISPANO-AMERICANAS
1820-1848. REVOLUÇÕES EUROPÉIAS
3. MOTIVOS
A CRISE GERAL DO ANTIGO REGIME
O ANTIGO REGIME
ABSOLUTISMO
SOCIEDADE ESTAMENTAL DIVIDIDA EM ORDENS
PODER DA ARISTOCRACIA
SUPREMACIA DA IGREJA
MERCANTILISMO E COLONIALISMO (ANTIGO SISTEMA COLONIAL)
A ASCENSÃO DA BURGUESIA NA EUROPA E DAS ELITES COLONIAIS NA AMÉRICA
CRESCENTE PODER ECONÔMICO SEM PODER POLÍTICO
DEMANDA POR MAIS DIREITOS E LIBERDADE ECONÔMICA
DIFUSÃO DO ILUMINISMO, DO LIBERALISMO E DO NACIONALISMO
ILUMINISMO
RACIONALISMO/CIENTIFICISMO
LIBERDADE
FÉ NO PROGRESSO
LIBERALISMO
DIREITOS INDIVIDUAIS: VIDA, PROPRIEDADE, LIBERDADE
ISONOMIA
CIDADANIA
GOVERNOS CONSTITUCIONAIS: ELEITOS PELOS CIDADÃOS E LIMITADOS PELA LEI
TOLERÂNCIA IDEOLÓGICA
LIBERDADE ECONÔMICA
NACIONALISMO
NAÇÃO: POVO UNIDO PELA CULTURA/HISTÓRIA COMUM E QUE SE VÊ COMO DISTINTO DOS OUTROS POVOS
DEFESA DA SOBERANIA/INDEPENDÊNCIA NACIONAL
A NAÇÃO DEVE POSSUIR O SEU PRÓPRIO ESTADO
O IMPACTO DAS GUERRAS EUROPÉIAS
1756-1763. GUERRA DOS SETE ANOS
1778-1783. INTERNACIONALIZAÇÃO DA GUERRA DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA
1792-1815. GUERRAS DA REVOLUÇÃO FRANCESA E GUERRAS NAPOLEÔNICAS
ESSAS GERARAM PROBLEMAS FINANCEIROS E MILITARES QUE CAUSARAM CRISES POLÍTICAS NO ANTIGO REGIME E NO SISTEMA COLONIAL
4. A CRISE DO ANTIGO SISTEMA COLONIAL (1750-1825)
CRISE DO COLONIALISMO EUROPEU NA AMÉRICA
Inserida na crise geral do Antigo Regime
AS REFORMAS COLONIAIS (1750-1800)
Feitas pelas metrópoles para aumentar o controle e exploração das colônias
ampliação do mercantilismo
mais impostos e monopólios
pacto-colonial mais rigoroso
maior intervencionismo governamental
menos autonomia para as colônias
Causaram grande insatisfação entre os colonos
Exemplos:
1750-1777. Portugal: Reformas Pombalinas
1764-1788. Espanha: Reformas Bourbônicas
1764-1774. Grã-Bretanha: Nova Política Colonial
5. A REVOLUÇÃO AMERICANA (1774-1787)
5.1 SIGNIFICADO
Independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte
Criação dos Estados Unidos da América (EUA)
5.2 ANTECEDENTES
a) A AMÉRICA COLONIAL BRITÂNICA EM 1750
ÍNDIAS OCIDENTAIS BRITÂNICAS: NO CARIBE
Barbados, Jamaica, Antigua
Colonização de exploração: plantations açucareiras, escravidão negra
TREZE COLÔNIAS BRITÂNICAS: NA COSTA LESTE DA AMÉRICA DO NORTE
COLÔNIAS DO SUL: colonização de exploração
Plantations de fumo e algodão
Escravidão negra
Aristocracia rural
COLÔNIAS DO NORTE (NOVA INGLATERRA): colonização de povoamento
Pequena propriedade, policultura
Servidão de contrato (temporária), trabalho livre
Maior importância do mercado interno e das cidades’
Indústria naval
Comércio triangular entre a Nova Inglaterra, África e Caribe/sul das Treze Colônias
Burguesia colonial, classe média (rural, urbana)
ASPECTOS GERAIS DAS TREZE COLÔNIAS
Extermínio/expulsão dos indígenas
Mas a presença nativa continuava importante nas áreas de fronteiras
Forte presença do protestantismo/calvinismo (anglicanismo, puritanismo)
Valorização do trabalho, esforço individual, busca do sucesso
América vista como a Terra Prometida (Nova Jerusalém) e os colonos como o “povo eleito” (Novo Israel)
Forte presença das tradições políticas inglesas e do Iluminismo
Constitucionalismo (governo limitado pela lei/poder legislativo), representação política, direito de resistência contra a tirania/opressão
Principais intelectuais iluministas: Benjamin Franklin (1706-1790), Thomas Jefferson (1743-1826), John Adams (1735-1826)
Negligência colonial ou salutar
A interferência da metrópole nos assuntos coloniais era relativamente pequena
Assembléias coloniais (voto censitário) com grande autonomia
Baixos impostos, pouco controle do comércio externo
Conflitos coloniais com os franceses da Nova França (Quebec/Canadá)
Disputas pelas terras indígenas do Ohio
b) A GUERRA DOS SETE ANOS (1756-1763)
GRÃ-BRETANHA E PRÚSSIA CONTRA A FRANÇA, ÁUSTRIA E ESPANHA, ENTRE OUTROS
A GUERRA NA AMÉRICA E ÍNDIA:
Disputa colonial entre Grã-Bretanha e França
VITÓRIA DA GRÃ-BRETANHA
Conquista do Quebec e do Ohio, franceses expulsos da América do Norte
PROBLEMAS BRITÂNICOS
O crescimento da dívida pública (custo da guerra) e a ampliação do império exigiram uma mudança na política colonial
c) A NOVA POLÍTICA COLONIAL BRITÂNICA (1764-1774)
MAIOR INTERFERÊNCIA DA METRÓPOLE NOS ASSUNTOS COLONIAIS
Intensificação do mercantilismo
Aumento dos impostos
Pacto-colonial mais rigoroso
Imposição de monopólios comerciais
Redução da autonomia das assembléias coloniais
Para os colonos, a liberdade estava ameaçada pela opressão do colonialismo
CONSEQUÊNCIAS
Revoltas nas colônias contra a Lei do Açucar (1764), Lei do Selo (1765), Lei do Chá (1773), Leis Intoleráveis (1774)
5.3 FASES DA REVOLUÇÃO AMERICANA
a) A REVOLUÇÃO CONSERVADORA (1774-1775)
TENTATIVA DE COMPROMISSO
Colonos aceitariam o domínio britânico, mas a Nova Política Colonial precisaria ser revista permitindo a restauração da negligência colonial
LEMA DOS REBELDES
 “Nenhuma taxação sem representação” (apenas órgãos representativos dos colonos poderiam tributá-los)
CRIAÇÃO DO CONGRESSO CONTINENTAL
Assembléia revolucionária das Treze Colônias
Dirigiu a luta contra a Grã-Bretanha
Criou o Exército Revolucionário
FRACASSO DAS TENTATIVAS DE COMPROMISSO
A rebelião virou uma revolução (luta pela independência/transformação da ordem política)
b) GUERRA DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (1775-1783)
Exército revolucionário comandado por George Washington
10 janeiro 1776. “O SENSO COMUM”(COMMON SENSE)
Panfleto de Thomas Paine
Difundiu e popularizou a idéia de independência
4 julho 1776. DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA
Elaborada por Thomas Jefferson
INTERNACIONALIZAÇÃO DA GUERRA
França, Espanha e Holanda entram na guerra contra a Grã-Bretanha
DERROTA BRITÂNICA
Grã-Bretanha reconhece a independência dos EUA
EUA ficam com o Ohio
Grã-Bretanha continuou com as Índias Ocidentais e o Canadá
c) A CONSTITUIÇÃO DE 1787
REGIME LIBERAL
República presidencialista federativa
Divisão em 3 poderes
Eleições indiretas p/ presidente (Colégio Eleitoral)
Primeiro presidente: George Washington (1789-1797)
AMPLA AUTONOMIA PARA OS GOVERNOS ESTADUAIS
Abolição da escravidão no Norte: a região avançou na direção da modernidade/industrialização capitalista
Manutenção da escravidão no Sul: a região continuou com uma estrutura tradicional agrária, escravista e aristocrática
5.4 O IMPACTO DA REVOLUÇÃO AMERICANA
Influenciou a Revolução Francesa e as Revoluções Hispano-Americanas
1823. DOUTRINA MONROE
Presidente James Monroe (1817-1825)
EUA apoiam a independência da América Latina (“A América para os americanos”)