Pessoal, o professor Rafael Riemma me enviou um excelente video sobre o impacto da modernização/industrialização no desenvolvimento social de diversos países. É um filme pequeno (4 minutos) e bem didático, apresentado na forma de um gráfico muito bem bolado. O link segue abaixo. Não deixem de ver!
quinta-feira, 17 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
23 - As melhores universidades do mundo
Uma pesquisa realizada pela Times Higher Education (THE) de Londres com 13 mil professores de todo o mundo, elegeu as 100 melhores universidades.
Entre as 100, o Brasil não está presente. A única instituição de Ensino Superior brasileira foi a Universidade de São Paulo (USP) e apareceu na 232ª posição. A universidade, mesmo não estando em uma boa colocação, foi a única que representou a América Latina. Já a líder do ranking, que obteve pontuação máxima em todos os critérios, foi a Universidade de Harvard nos Estados Unidos.
Lista das 20 melhores universidades do mundo:
1. Harvard University - Estados Unidos
2. Massachusetts Institute of Technology – Estados Unidos
3. University of Cambridge - United Kingdom
4. University of California Berkeley - Estados Unidos
5. Stanford University – Estados Unidos
6. University of Oxford - United Kingdom
7. Princeton University - Estados Unidos
8. University of Tokyo - Japão
9. Yale University - Estados Unidos
10. California Institute of Technology - Estados Unidos
11. Imperial College London - United Kingdo
12. University of California Los Angeles - Estados Unidos
13. University of Michigan - Estados Unidos
14. Johns Hopkins University - Estados Unidos
15. University of Chicago - Estados Unidos
16. Cornell University - Estados Unidos
17. University of Toronto - Canada
18. Kyoto University - Japão
19. University College London - United Kingdom
20. University of Massachusetts - Estados Unidos
Veja a relação completa das 100 melhores Universidades do mundo: Times Higher Education.
domingo, 13 de março de 2011
22 - Sociedade justa
Pessoal, segue um texto interessante do filósofo Olavo de Carvalho sobre o ideal de uma “sociedade justa”. Publicado no Diário do Comércio, em 10 de março de 2011, o texto também está disponível no site do autor em http://www.olavodecarvalho.org/index.html?index.htm
Sociedade justa
Outro dia perguntaram qual o meu conceito de uma sociedade justa. A palavra “conceito” entrava aí com um sentido antes americano e pragmatista do que greco-latino. Em vez de designar apenas a fórmula verbal de uma essência ou ente, significava o esquema mental de um plano a ser realizado. Nesse sentido, evidentemente, eu não tinha conceito nenhum de sociedade justa, pois, persuadido de que não cabe a mim trazer ao mundo tão maravilhosa coisa, também não me parecia ocupação proveitosa ficar inventando planos que não tencionava realizar.
O que estava ao meu alcance, em vez disso, era apenas analisar a idéia mesma de “sociedade justa” – o seu conceito no sentido greco-latino do termo – para ver se fazia sentido e se tinha alguma serventia.
Desde logo, os atributos de justiça e injustiça só se aplicam aos entes reais capazes de agir. Um ser humano pode agir, uma empresa pode agir, um grupo político pode agir, mas “a sociedade”, como um todo, não pode. Toda ação subentende a unidade da intenção que a determina, e nenhuma sociedade chega a ter jamais uma unidade de intenções que justifique apontá-la como sujeito concreto de uma ação determinada. A sociedade, como tal, não é um agente: é o terreno, a moldura onde as ações de milhares de agentes, movidos por intenções diversas, produzem resultados que não correspondem integralmente nem mesmo às intenções deles, quanto mais às de um ente genérico chamado “a sociedade”!
“Sociedade justa” não é portanto um conceito descritivo. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Por isso mesmo, tem necessariamente uma multiplicidade de sentidos que se superpõem e se mesclam numa confusão indeslindável, que basta para explicar por que os maiores crimes e injustiças do mundo foram praticados, precisamente, em nome da “sociedade justa”. Quando você adota como meta das suas ações uma figura de linguagem imaginando que é um conceito, isto é, quando você se propõe realizar uma coisa que não consegue nem mesmo definir, é fatal que acabe realizando algo de totalmente diverso do que imaginava. Quando isso acontece há choro e ranger de dentes, mas quase sempre o autor da encrenca se esquiva de arcar com suas culpas, apegando-se com tenacidade de caranguejo a uma alegação de boas intenções que, justamente por não corresponderem a nenhuma realidade identificável, são o melhor analgésico para as consciências pouco exigentes.
Se a sociedade, em si, não pode ser justa ou injusta, toda sociedade abrange uma variedade de agentes conscientes que, estes sim, podem praticar ações justas ou injustas. Se algum significado substantivo pode ter a expressão “sociedade justa”, é o de uma sociedade onde os diversos agentes têm meios e disposição para ajudar uns aos outros a evitar atos injustos ou a repará-los quando não puderam ser evitados. Sociedade justa, no fim das contas, significa apenas uma sociedade onde a luta pela justiça é possível. “Meios” quer dizer: poder. Poder legal, decerto, mas não só isso: se você não tem meios econômicos, políticos e culturais de fazer valer a justiça, pouco adianta a lei estar do seu lado. Para haver aquele mínimo de justiça sem o qual a expressão “sociedade justa” seria apenas um belo adorno de crimes nefandos, é preciso que haja uma certa variedade e abundância de meios de poder espalhados pela população em vez de concentrados nas mãos de uma elite iluminada ou sortuda. Porém, se a população mesma não é capaz de criar esses meios e, em vez disso, confia num grupo revolucionário que promete tomá-los de seus atuais detentores e distribuí-los democraticamente, aí é que o reino da injustiça se instala de uma vez por todas. Para distribuir poderes, é preciso primeiro possuí-los: o futuro distribuidor de poderes tem de tornar-se, antes, o detentor monopolístico de todo o poder. E mesmo que depois venha a tentar cumprir sua promessa, a mera condição de distribuidor de poderes continuará fazendo dele, cada vez mais, o senhor absoluto do poder supremo.
Poderes, meios de agir, não podem ser tomados, nem dados, nem emprestados: têm de ser criados. Caso contrário, não são poderes: são símbolos de poder, usados para mascarar a falta de poder efetivo. Quem não tem o poder de criar meios de poder será sempre, na melhor das hipóteses, o escravo do doador ou distribuidor.
Na medida em que a expressão “sociedade justa” pode se transmutar de figura de linguagem em conceito descritivo viável, torna-se claro que uma realidade correspondente a esse conceito só pode existir como obra de um povo dotado de iniciativa e criatividade – um povo cujos atos e empreendimentos sejam variados, inéditos e criativos o bastante para que não possam ser controlados por nenhuma elite, seja de oligarcas acomodados, seja de revolucionários ávidos de poder.
Aquele que deseja sinceramente libertar o seu povo do jugo de uma elite mandante não promete jamais tomar o poder dessa elite para distribuí-lo ao povo: trata, em vez disso, de liberar as forças criativas latentes no espírito do povo, para que este aprenda a gerar seus próprios meios de poder – muitos, variados e imprevisíveis –, minando e diluindo os planos da elite – de qualquer elite – antes que esta possa sequer compreender o que se passou.
Olavo de Carvalho
segunda-feira, 7 de março de 2011
21 - Exposição "Hitler e os alemães"
Pessoal, segue um texto interessante do historiador Francisco Carlos Teixeira sobre a exposição “Hitler e os alemães”, organizada em Berlim. O texto saiu no site Carta Maior.
Hitler de volta a Berlim
Neste inverno de 2011 a cidade de Berlim hospeda a exposição “Hitler e os alemães: ‘Volskgemeinschaft’ (1) e Criminosos”. O sucesso da exposição foi tamanho que, algo raro para o calendário alemão, a exposição foi prolongada para além do seu término programado (no início de fevereiro de 2011), permitindo a continuada visita de adolescentes e seus professores, jovens e grupos de militares das forças aramadas alemães.
Hitler no coração do militarismo alemão
O evento realiza-se na chamada “Zeughaus”, a antiga Casa de Armas do Império alemão (1871-1918), no centro histórico de Berlim (2). O próprio endereço da exposição – na famosa rua Unter den Linden (Sob as Tílias) a poucos metros da “Neue Wache” (a Guarda Nova) – é sintomático. Este vasto espaço da cidade de Berlim, entre o Sigsäule – a Coluna da Vitória, construída após a vitória alemã contra os franceses em 1871 (e montada com os canhões franceses tomados na Batalha de Sedan) - e a Ponte do Castelo, onde ficava o castelo imperial da dinastia Hohenzollern, passando pelo Arco do Brandenburgo, foi palco dos principais eventos de massa organizados pelo regime nazista (em verdade pelo ministro da informação e propaganda, Joseph Goebbels). Foi neste espaço histórico, carregado de eventos, alguns bastante tenebrosos, que um grupo de historiadores e museólogos resolveu instalar a exposição sobre Hitler.
Uma exposição sobre o silêncio
Na própria exposição fotos e filmes do período nazista mostram as marchas massivas, na maioria dos casos noturnas com tochas nas mãos, nas quais milhares de alemães das SA e das SS desfilavam para impressionar e seduzir as massas alemães naquele mesmo local. Há poucos metros da Zeughaus, hoje transformada em Museu Histórico Alemão – da mesma forma que no Rio transformamos a antiga Casa do Trem em Museu Histórico – ficava o Palácio Imperial, sede do governo durante o Império e a República de Weimar (1919-1933), onde Hitler fez inúmeros de seus discursos. Toda a área seria objeto, após a suposta vitória alemã na Segunda Guerra Mundial, de ampla remodelação, gigantesca e inumana, organizada por Albert Speer, o arquiteto de Hitler, a fim de transformar Berlim em símbolo do poder ariano e na mais portentosa capital da Europa.
Na verdade, o conjunto arquitetônico foi duramente bombardeado por ingleses e americanos durante o chamado “Der Brand” – o Incêndio, como a historiografia alemã denomina as conseqüências da estratégia aérea do General (inglês) Harris contra o Terceiro Reich. Mais tarde, em 1945, foi palco central da Batalha de Berlim, quando finalmente os soviéticos conquistaram a capital do Terceiro Reich e puseram fim ao “Império de mil anos” de Hitler.
Tal escolha e centralidade da realização da exposição são importantes e eloqüentes e faz parte da própria concepção do evento. Na verdade, “Hitler e os alemães” possui um claro objetivo, ao mesmo tempo histórico e político.
Por que voltar a Hitler?
Para os realizadores da exposição trata-se de mudar o foco dos debates e da forma de expor e retratar Hitler e o Terceiro Reich (3) . Para estes, a maior parte das exposições, eventos e livros estão centrados na própria figura de Hitler, na sua biografia e na sua “carreira”. Hitler surgeria assim como a personificação do mal. Mas, o Terceiro Reich foi obra solitária de Hitler? Caberia, para mudar o foco considerado insuficiente, responder a uma dupla pergunta: Por que Hitler foi possível? E, em segundo lugar, qual o significado da escolha de Hitler – e foi uma escolha, conforme os organizadores – pelo povo alemão em 1933? E por que continuaram a apoiá-lo até o fim em 1945?
Assim, a centralidade da própria figura de Hitler deveria ser deslocada em favor daqueles que o escolheram e das condições em que tal escolha foi feita. Exposições anteriores, mesmo as mais importantes, e grandes livros que marcam a literatura vastíssima sobre o Terceiro Reich encontram-se por demais centradas na figura do próprio Führer – como a grande e documentada biografia de Joachim Fest ou o filme “A Queda”. Não seria isso produto da própria propaganda nazista?
Trabalhando para Hitler
Livros fantásticos como de Karl-Dietrich Bracher, Joaquim Fest, Hans Mommsen ou Ian Kershaw (4) – este recentemente editado no Brasil com um bom trabalho de tradução e de composição – buscam no próprio Hitler a explicação do fenômeno do nazismo. A participação da massa alemã – afinal 33% da população adulta votou no Partido Nazista em 1933 – originaria, no âmbito da discussão chamada “A Querela dos Historiadores” (o chamado “Historikerstreit”), a discutir muitio mais o papel do ditador do que as condições de exercício do poder pelo Partido Nazista e seus aderentes. Teses novas, e intensos debates entre professores universitários alemães nos anos 80 e, um pouco mais tarde, desembocaram na já célebre explicação defendida por Ian Kershaw. Trata-se da idéia de um amplo grupo de pessoas que se dedicaram a “working for Hitler” – trabalhar para Hitler. Uma adesão livre da população e expontânea, definida a partir de demandas e comandos superiores, no mais das vezes do próprio Führer.
A questão principal colocada pela exposição, de forma clara e direta, remete a adesão e entusiasmo com que a população alemã participou do Terceiro Reich. Ao lado do fenômeno já amplamente estudado e sobre o qual paira uma boa concordância, chamado de “Gleichhaltung” da sociedade alemã nos primeiros anos do nazismo (1933 até 1936) – ou seja, o conjunto de medidas tomadas pelo Estado nazista visando organizar a sociedade conforme as idéias propostas pelo nacional-socialismo. Nicos Poulantzas, numa obra já antiga – e em vários aspectos superada – denominou a “Gleichhaltung” como “processo de fascistização”.
Ora, os organizadores da exposição propõem além da “Gleichhaltung” – sob comando do Estado, portanto de cima para baixo – uma “Selbstgleichaltung”, ou seja, um processo de fascistização comandado e assumido pela própria (“selbst”) sociedade.
Questionado o silêncio
Assim, a resposta da questão dupla acima colocada voltar-se-ia para a própria sociedade alemã, buscando estabelecer nos desejos, esperanças e frustrações do povo alemão a adesão para com o nacional-socialismo. Os textos e guias da exposição não temem utilizar a expressão “cooperação” – “mitmachen” – para dar conta da relação entre povo, partido e seu Führer.
Eis aqui um passo importante e original no debate historiográfico. Tradicionalmente a posição de historiadores e políticos alemães (em especial na República Federal) colocava os próprios alemães como vítimas do nazismo. Desde Konrad Adenauer (primeiro chanceler da república Federal) a derrota de 1945 é descrita como a “libertação” dos alemães, alterando profundamente o próprio sentido da história. Para outros, bem ao contrário, havia uma “culpa coletiva” que recobria, com um manto de infâmia, todos os alemães.
Na exposição “Hitler e os alemães” existe uma gradação muito clara de “Faszination” e de “Cooperação” (“mitmachen”) até a aprovação (“billigen”) dos próprios crimes do nazismo, bem como de oposição e resistência (fatos diferenciados) e que implica em plena consciência dos contemporâneos de Hitler sobre o fenômeno que vivenciavam, bem como sua natureza violenta e a compreensão do alcance criminoso do nazismo.
O pretenso poder de Hitler foi, desta forma, preencher as expectativas e esperanças pré-existentes do povo alemão, não sendo ele mesmo o “autor” ou “produtor” de tais expectativas.
A própria aceitação, com entusiasmo, frieza ou simplesmente oportunismo, do conceito de “Volskgemeinschaft” por parte do povo alemão implicava na cooperação com o nazismo. A noção de “comunidade do povo”, conforme construído sob o nazismo, teria em seu núcleo uma promessa real de violência.
A adesão
Neste sentido na vigência das noções de decorrentes de “Volksgemeischaft” – tais como a pureza do sangue ariano, a exclusão de deficientes e de “diferentes” de todo tipo, a substituição dos conflitos de classe pela cooperação entre os membros da raça superior – plena de violência normativa impregnava a sociedade alemã de forma brutal.
Conforme os organizadores, tal violência não era, de forma alguma, decorrente de ordens e decisões “nur von homem” – apenas vindas “de cima”, demandadas de forma implícita ou explicita pelo regime e seus diversos pequenos “Führers” setoriais e regionais. A violência era produzida – no processo de exclusão social produzido pela aceitação voluntária das nações de “Volksgemeischaft” - através de um processo oriundo, ou mesmo antecipado, das próprias bases da sociedade alemã – “durch Prozesse an der Basis”.
Esta é, sem dúvida, uma discussão dura e amarga e que envolve o povo alemão. Mas, a análise direta e responsável do grupo de pedagogos e historiadores que o organizaram a exposição implica numa ampla capacidade comparativa com todas as demais ditaduras. Eis aí um ponto de largo interesse com a América Latina. A questão central estaria, neste caso, em se perguntar se o processo de consumação da violência nas ditaduras é, de alguma, forma diferente ou comparável. Em verdade, se tivermos em mente as experiências históricas das ditaduras latino-americanas – sejam aquelas dos anos 30/40 do século XX ou as ditaduras militares dos anos 60/80 - poderíamos nos perguntar sobre a mesma, em escalas diferenciadas, adesão das sociedades latino-americanas ao processo de violência quotidiana desencadeado pela possibilidade de excluir e punir indivíduos considerados diferentes. Em graus diferentes é um debate recorrente em todos as ditaduras.
NOTAS
(1) O termo “Gemeinschaft!” é de difícil tradução no seu sentido histórico. Embora tenha sido criado pelo sociólogo alemão Tönnies, ainda no século XIX, e seguidamente utilizado no sentido de “comunidade”, em oposição à sociedade, descrevendo sociedades de solidariedade mais mecânica e autoritária, enquanto a sociedade seria mais orgânica e eletiva, no Terceiro Reich assumiu um significado profundamente ideológico representando o conjunto do povo alemão – o Volk – constituído pelo conjunto da população ariana, de sangue superior, na Europa, englobando alemães, austríacos, alemães dos Sudetos e outras populações de sangue ariano. Na exposição este sentido é retomado para recobrir o conjunto da sociedade alemã que aderiu de forma voluntária – passiva ou ativamente – ao nacional-socialismo.
(2) Trata-se de um amplo conjunto arquitetônico construído em pesado estilo barroco a partir de 1706 para ser a armaria do rei da Prússia. Foi amplamente reformada em 2003 pelo famoso arquiteto I.M.Pei, ganhando novas alas modernas e uma ampla cúpula de vidro. Lá estão, em exposição permanente, os principais fatos da história contemporânea alemã, incluindo a guerra e o Holocausto. Há poucos metros fica a Neue Wache ( a Nova Guarda ), construída em 1816 pelo famoso arquiteto prussiano Karl Friedrich Schinkel e cenário de coreográficas manifestações do militarismo prussiano. Hoje a Neue Wache é um monumento às vítimas da guerra, com uma bela escultura de Käthe Kollwitz substituindo os símbolos militares do Reich.
(3) Os organizadores da exposição são os professores Hans-Ulrich Thamer, da Universidade de Munster; a museóloga do Museu Histórico de Berlim Simone Erpel e o arquiteto Klaus-Jürgen Sembach, com a cooperação de historiadores como Michael Sturm.
(4) Estamos aqui conscientemente excluindo do debate a tese de Daniel Goldhagen sobre a predisposição histórica da população alemã ao Holocausto, conforme expressa em “Os carrascos voluntários de Hitler”, por sua vaguidão histórica, ausência de pesquisa própria e caráter sensacionalista
Hitler no coração do militarismo alemão
O evento realiza-se na chamada “Zeughaus”, a antiga Casa de Armas do Império alemão (1871-1918), no centro histórico de Berlim (2). O próprio endereço da exposição – na famosa rua Unter den Linden (Sob as Tílias) a poucos metros da “Neue Wache” (a Guarda Nova) – é sintomático. Este vasto espaço da cidade de Berlim, entre o Sigsäule – a Coluna da Vitória, construída após a vitória alemã contra os franceses em 1871 (e montada com os canhões franceses tomados na Batalha de Sedan) - e a Ponte do Castelo, onde ficava o castelo imperial da dinastia Hohenzollern, passando pelo Arco do Brandenburgo, foi palco dos principais eventos de massa organizados pelo regime nazista (em verdade pelo ministro da informação e propaganda, Joseph Goebbels). Foi neste espaço histórico, carregado de eventos, alguns bastante tenebrosos, que um grupo de historiadores e museólogos resolveu instalar a exposição sobre Hitler.
Uma exposição sobre o silêncio
Na própria exposição fotos e filmes do período nazista mostram as marchas massivas, na maioria dos casos noturnas com tochas nas mãos, nas quais milhares de alemães das SA e das SS desfilavam para impressionar e seduzir as massas alemães naquele mesmo local. Há poucos metros da Zeughaus, hoje transformada em Museu Histórico Alemão – da mesma forma que no Rio transformamos a antiga Casa do Trem em Museu Histórico – ficava o Palácio Imperial, sede do governo durante o Império e a República de Weimar (1919-1933), onde Hitler fez inúmeros de seus discursos. Toda a área seria objeto, após a suposta vitória alemã na Segunda Guerra Mundial, de ampla remodelação, gigantesca e inumana, organizada por Albert Speer, o arquiteto de Hitler, a fim de transformar Berlim em símbolo do poder ariano e na mais portentosa capital da Europa.
Na verdade, o conjunto arquitetônico foi duramente bombardeado por ingleses e americanos durante o chamado “Der Brand” – o Incêndio, como a historiografia alemã denomina as conseqüências da estratégia aérea do General (inglês) Harris contra o Terceiro Reich. Mais tarde, em 1945, foi palco central da Batalha de Berlim, quando finalmente os soviéticos conquistaram a capital do Terceiro Reich e puseram fim ao “Império de mil anos” de Hitler.
Tal escolha e centralidade da realização da exposição são importantes e eloqüentes e faz parte da própria concepção do evento. Na verdade, “Hitler e os alemães” possui um claro objetivo, ao mesmo tempo histórico e político.
Por que voltar a Hitler?
Para os realizadores da exposição trata-se de mudar o foco dos debates e da forma de expor e retratar Hitler e o Terceiro Reich (3) . Para estes, a maior parte das exposições, eventos e livros estão centrados na própria figura de Hitler, na sua biografia e na sua “carreira”. Hitler surgeria assim como a personificação do mal. Mas, o Terceiro Reich foi obra solitária de Hitler? Caberia, para mudar o foco considerado insuficiente, responder a uma dupla pergunta: Por que Hitler foi possível? E, em segundo lugar, qual o significado da escolha de Hitler – e foi uma escolha, conforme os organizadores – pelo povo alemão em 1933? E por que continuaram a apoiá-lo até o fim em 1945?
Assim, a centralidade da própria figura de Hitler deveria ser deslocada em favor daqueles que o escolheram e das condições em que tal escolha foi feita. Exposições anteriores, mesmo as mais importantes, e grandes livros que marcam a literatura vastíssima sobre o Terceiro Reich encontram-se por demais centradas na figura do próprio Führer – como a grande e documentada biografia de Joachim Fest ou o filme “A Queda”. Não seria isso produto da própria propaganda nazista?
Trabalhando para Hitler
Livros fantásticos como de Karl-Dietrich Bracher, Joaquim Fest, Hans Mommsen ou Ian Kershaw (4) – este recentemente editado no Brasil com um bom trabalho de tradução e de composição – buscam no próprio Hitler a explicação do fenômeno do nazismo. A participação da massa alemã – afinal 33% da população adulta votou no Partido Nazista em 1933 – originaria, no âmbito da discussão chamada “A Querela dos Historiadores” (o chamado “Historikerstreit”), a discutir muitio mais o papel do ditador do que as condições de exercício do poder pelo Partido Nazista e seus aderentes. Teses novas, e intensos debates entre professores universitários alemães nos anos 80 e, um pouco mais tarde, desembocaram na já célebre explicação defendida por Ian Kershaw. Trata-se da idéia de um amplo grupo de pessoas que se dedicaram a “working for Hitler” – trabalhar para Hitler. Uma adesão livre da população e expontânea, definida a partir de demandas e comandos superiores, no mais das vezes do próprio Führer.
A questão principal colocada pela exposição, de forma clara e direta, remete a adesão e entusiasmo com que a população alemã participou do Terceiro Reich. Ao lado do fenômeno já amplamente estudado e sobre o qual paira uma boa concordância, chamado de “Gleichhaltung” da sociedade alemã nos primeiros anos do nazismo (1933 até 1936) – ou seja, o conjunto de medidas tomadas pelo Estado nazista visando organizar a sociedade conforme as idéias propostas pelo nacional-socialismo. Nicos Poulantzas, numa obra já antiga – e em vários aspectos superada – denominou a “Gleichhaltung” como “processo de fascistização”.
Ora, os organizadores da exposição propõem além da “Gleichhaltung” – sob comando do Estado, portanto de cima para baixo – uma “Selbstgleichaltung”, ou seja, um processo de fascistização comandado e assumido pela própria (“selbst”) sociedade.
Questionado o silêncio
Assim, a resposta da questão dupla acima colocada voltar-se-ia para a própria sociedade alemã, buscando estabelecer nos desejos, esperanças e frustrações do povo alemão a adesão para com o nacional-socialismo. Os textos e guias da exposição não temem utilizar a expressão “cooperação” – “mitmachen” – para dar conta da relação entre povo, partido e seu Führer.
Eis aqui um passo importante e original no debate historiográfico. Tradicionalmente a posição de historiadores e políticos alemães (em especial na República Federal) colocava os próprios alemães como vítimas do nazismo. Desde Konrad Adenauer (primeiro chanceler da república Federal) a derrota de 1945 é descrita como a “libertação” dos alemães, alterando profundamente o próprio sentido da história. Para outros, bem ao contrário, havia uma “culpa coletiva” que recobria, com um manto de infâmia, todos os alemães.
Na exposição “Hitler e os alemães” existe uma gradação muito clara de “Faszination” e de “Cooperação” (“mitmachen”) até a aprovação (“billigen”) dos próprios crimes do nazismo, bem como de oposição e resistência (fatos diferenciados) e que implica em plena consciência dos contemporâneos de Hitler sobre o fenômeno que vivenciavam, bem como sua natureza violenta e a compreensão do alcance criminoso do nazismo.
O pretenso poder de Hitler foi, desta forma, preencher as expectativas e esperanças pré-existentes do povo alemão, não sendo ele mesmo o “autor” ou “produtor” de tais expectativas.
A própria aceitação, com entusiasmo, frieza ou simplesmente oportunismo, do conceito de “Volskgemeinschaft” por parte do povo alemão implicava na cooperação com o nazismo. A noção de “comunidade do povo”, conforme construído sob o nazismo, teria em seu núcleo uma promessa real de violência.
A adesão
Neste sentido na vigência das noções de decorrentes de “Volksgemeischaft” – tais como a pureza do sangue ariano, a exclusão de deficientes e de “diferentes” de todo tipo, a substituição dos conflitos de classe pela cooperação entre os membros da raça superior – plena de violência normativa impregnava a sociedade alemã de forma brutal.
Conforme os organizadores, tal violência não era, de forma alguma, decorrente de ordens e decisões “nur von homem” – apenas vindas “de cima”, demandadas de forma implícita ou explicita pelo regime e seus diversos pequenos “Führers” setoriais e regionais. A violência era produzida – no processo de exclusão social produzido pela aceitação voluntária das nações de “Volksgemeischaft” - através de um processo oriundo, ou mesmo antecipado, das próprias bases da sociedade alemã – “durch Prozesse an der Basis”.
Esta é, sem dúvida, uma discussão dura e amarga e que envolve o povo alemão. Mas, a análise direta e responsável do grupo de pedagogos e historiadores que o organizaram a exposição implica numa ampla capacidade comparativa com todas as demais ditaduras. Eis aí um ponto de largo interesse com a América Latina. A questão central estaria, neste caso, em se perguntar se o processo de consumação da violência nas ditaduras é, de alguma, forma diferente ou comparável. Em verdade, se tivermos em mente as experiências históricas das ditaduras latino-americanas – sejam aquelas dos anos 30/40 do século XX ou as ditaduras militares dos anos 60/80 - poderíamos nos perguntar sobre a mesma, em escalas diferenciadas, adesão das sociedades latino-americanas ao processo de violência quotidiana desencadeado pela possibilidade de excluir e punir indivíduos considerados diferentes. Em graus diferentes é um debate recorrente em todos as ditaduras.
NOTAS
(1) O termo “Gemeinschaft!” é de difícil tradução no seu sentido histórico. Embora tenha sido criado pelo sociólogo alemão Tönnies, ainda no século XIX, e seguidamente utilizado no sentido de “comunidade”, em oposição à sociedade, descrevendo sociedades de solidariedade mais mecânica e autoritária, enquanto a sociedade seria mais orgânica e eletiva, no Terceiro Reich assumiu um significado profundamente ideológico representando o conjunto do povo alemão – o Volk – constituído pelo conjunto da população ariana, de sangue superior, na Europa, englobando alemães, austríacos, alemães dos Sudetos e outras populações de sangue ariano. Na exposição este sentido é retomado para recobrir o conjunto da sociedade alemã que aderiu de forma voluntária – passiva ou ativamente – ao nacional-socialismo.
(2) Trata-se de um amplo conjunto arquitetônico construído em pesado estilo barroco a partir de 1706 para ser a armaria do rei da Prússia. Foi amplamente reformada em 2003 pelo famoso arquiteto I.M.Pei, ganhando novas alas modernas e uma ampla cúpula de vidro. Lá estão, em exposição permanente, os principais fatos da história contemporânea alemã, incluindo a guerra e o Holocausto. Há poucos metros fica a Neue Wache ( a Nova Guarda ), construída em 1816 pelo famoso arquiteto prussiano Karl Friedrich Schinkel e cenário de coreográficas manifestações do militarismo prussiano. Hoje a Neue Wache é um monumento às vítimas da guerra, com uma bela escultura de Käthe Kollwitz substituindo os símbolos militares do Reich.
(3) Os organizadores da exposição são os professores Hans-Ulrich Thamer, da Universidade de Munster; a museóloga do Museu Histórico de Berlim Simone Erpel e o arquiteto Klaus-Jürgen Sembach, com a cooperação de historiadores como Michael Sturm.
(4) Estamos aqui conscientemente excluindo do debate a tese de Daniel Goldhagen sobre a predisposição histórica da população alemã ao Holocausto, conforme expressa em “Os carrascos voluntários de Hitler”, por sua vaguidão histórica, ausência de pesquisa própria e caráter sensacionalista
Francisco Carlos Teixeira. Carta Maior, 2 de março de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
20 - A Revolução Egípcia (II)
(Vejam a postagem 19)
Pessoal, mais um texto interessante sobre a crise política do Egito, agora contextualizando os acontecimentos do país no conturbado cenário do Oriente Médio das últimas três décadas. O texto tem vários links. Também está na Veja digital (www.veja.abril.com.br) e saiu no dia 2 de fevereiro de 2011.
Mundo árabe: constantes revoluções, mas sem democracia
O mundo árabe vive, nos últimos dias, uma onda de protestos antigoverno iniciada a partir da Revolução do Jasmim, na Tunísia. Lá, os manifestantes conseguiram tirar do poder o ditador Zine El Abidine Ben Ali, que comandava o país há 23 anos. Foi o estopim para que populares saíssem às ruas no Egito, Iêmen, Argélia, Sudão e Jordânia. Não é a primeira vez que revoltas populares fazem a história dar um de seus saltos à frente nos países islâmicos. Mas, em regiões com histórico tão delicado, a fúria das ruas faz emergir o risco de ascensão dos fundamentalistas.
Um dos ápices do furor revolucionário no Oriente Médio foi a derrubada da monarquia e a criação da primeira república islâmica no Irã, em 1979. Como resultado dessa revolução, o Irã é hoje o único país da região absolutamente teocrático, ou seja, dirigido pelo clero muçulmano a partir não de leis votadas em parlamento, e sim das regras do Corão. O regime permitiu que radicais como Mahmoud Ahmadinejad chegassem à Presidência. Eleito em 2005 com o voto dos miseráveis da periferia das cidades iranianas, Ahmadinejad costuma chocar o mundo com suas ameaças verbais e demonstrações de força.
Ao fraudar pateticamente as eleições iranianas para reeleger-se, em 2009, Ahmadinejad deu início a uma outra onda de protestos que agitou o mundo árabe. Naquele ano, porém, a violência das forças de segurança conseguiu conter a fúria dos manifestantes. Ao menos 10 jovens morreram pelas mãos da polícia durante as manifestações – entre eles Neda, a garota que se tornou símbolo da truculência dos regimes autoritários. Ela foi morta com um tiro na cabeça diante das câmeras em um protesto. As manifestações no Irã tornaram-se o mais extraordinário exemplo das potencialidades do Twitter. Muitos iranianos recorriam à rede para organizar protestos e denunciar abusos do governo. O movimento chegou a ser saudado como “revolução do Twitter”.
Em 2005, foi a vez do Líbano ser palco de manifestações da vontade popular no mundo árabe. Pela primeira vez, a palavra intifada – rebelião, em árabe – foi usada nessa parte do mundo para caracterizar um movimento inteiramente pacífico. Pela primeira vez, enormes massas saíram às ruas pedindo o básico em boa parte do planeta, mas mercadoria escassa entre seus vizinhos: liberdade, soberania, justiça. Pela primeira vez, guiadas pelo mais arrebatado realismo, pediram – e conseguiram – o impossível: a retirada das tropas sírias que entraram no país em 1976. O país, porém, vive numa corda bamba constante na tentativa de equilibrar as variadas facções religiosas e políticas que se estabeleceram desde a guerra civil de 1990. Ronda o Líbano também o perigo de ascensão do Hezbollah, o cada vez mais poderoso movimento político, religioso e militar dos radicais xiitas.
Assim como se viu na Tunísia, a onda de manifestações no Líbano deu origem a uma série de outras. No Iraque, o protesto não foi na porta da embaixada americana, mas na da Jordânia, acusada de facilitar a entrada no país das ondas de suicidas que, em nome da guerra aos Estados Unidos, trucidam diariamente civis iraquianos. No Catar, viu-se um ato de repúdio ao terrorismo, permeado por frases singelas como: “Residentes estrangeiros, nós amamos vocês”. As manifestações tiveram resultados, ainda que tímidos – eleições presidenciais pluripartidárias, mas não muito, no Egito e modestas eleições municipais na Arábia Saudita.
As fronteiras do mundo árabe foram riscadas na areia depois da I Guerra. A mistura mal costurada de tribos, povos, religiões nunca foi fácil de administrar. Talvez a solução esteja na democracia, sistema político que não experimentaram. A derrubada de um regime autoritário, contudo, infelizmente não garante que a ele se sucederá uma democracia com direitos e liberdades universais. Com a falência do nacionalismo laico e a quase inexistência de correntes identificadas com as tradições democráticas, o Islã politizado é praticamente a única alternativa hoje existente na vasta maioria do mundo muçulmano.
19 - A Revolução Egípcia (I)
Pessoal, seguem dois textos bem interessantes sobre os últimos acontecimentos no Egito. O primeiro texto trata da Irmandade Muçulmana, o principal grupo de oposição ao (ex) regime de Mubarak. O segundo texto é uma entrevista com o escritor egípcio Tarek Osman. Ambos saíram na edição eletrônica da Veja do dia 22 de fevereiro de 2011 (www.veja.abril.com.br)
Texto I
Irmandade Muçulmana: os fundamentalistas contra Mubarak
Maior e mais antigo grupo de oposição do Egito diz ter abdicado da violência, mas alguns membros continuam a apoiar terroristas pelo mundo árabe
Em 18 dias de intensos protestos nas ruas do Egito, representantes do grupo Irmandade Muçulmana fizeram coro com outros manifestantes pedindo a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak. No dia 11 de fevereiro, a "voz das ruas" prevaleceu e o ditador renunciou, deixando nas mãos do Exército a tarefa de governar até as eleições e abrir caminho para um regime democrático no país. Diante do receio dos ocidentais de que os fundamentalistas ameaçariam tal transição, membros da Irmandade afirmaram que não apresentarão um candidato à Presidência, porém anunciaram a formação de um partido político. Mas, afinal, em que consiste o movimento, quem são seus integrantes e qual sua força e participação nos recentes protestos?
A Irmandade Muçulmana é a maior e mais antiga organização islâmica do Egito e principal grupo opositor ao governo de Mubarak - apesar de nunca ter chegado a ser de fato um partido político. Fundado por Hassan Al Banna, em 1928, com o objetivo de espalhar os preceitos do Islã, o movimento teve suas ideias disseminadas rapidamente e, no fim da década de 1940, estimava-se que possuísse 2 milhões de seguidores no Egito. Logo o movimento ganhou ramificações em outras nações árabes, como a Síria e o Iraque. Em meados da década de 1950, a ascensão do teólogo Sayyid Qutb como liderança pôs a Irmandade Muçulmana na trilha do radicalismo. Qutb foi e continua sendo inspiração para grupos como o Hamas (palestino), o Hezbollah (libanês), e mesmo para a rede terrorista Al Qaeda - organizações às quais a Irmandade presta ajuda financeira.
Apesar de seus porta-vozes afirmarem ter adotado o caminho da moderação e da renúncia à violência, o movimento desperta temor e desconfiança no Egito e no Ocidente. Enquanto diz apoiar princípios democráticos, um de seus objetivos ainda é criar, gradualmente, um estado regido pela lei islâmica da Sharia. Seu mais conhecido slogan é: “O Islã é a solução”. Banido várias vezes pelo governo egípcio ao longo da história, o grupo ainda assim se infiltrou no parlamento com candidatos independentes que defendiam, além da liberalização da legislação partidária, a instauração das leis islâmicas no país. Na década de 1980, com a chegada de Mubarak ao poder, a Irmandade apostou em alianças com o partido Wafd, em 1984, e com os partidos dos trabalhadores e dos liberais, em 1987, tornando-se a principal força de oposição no Egito. Porém, em todos esses anos, assim como nos subsequentes, não conseguiu aprovar projetos de seu interesse.
Apenas nas eleições de 2005 o grupo voltou a ganhar expressão, alcançando a sua melhor marca: candidatos aliados independentes ganharam 20% das cadeiras da Assembléia Nacional. Embora não representasse uma ameaça imediata, diante das rigorosas leis impostas por Mubarak, o resultado surpreendeu o presidente por demonstrar a força do movimento. O governo logo lançou mão de novas medidas contra a Irmandade, detendo centenas de seus membros e instituindo um conjunto de reformas legais para sufocá-la. A constituição foi reescrita para estipular que nenhum tipo de atividade política poderia ser baseada na religião. Candidatos independentes foram proibidos de concorrer à presidência, e leis deram vastos poderes às forças de segurança para deter pessoas e desfazer reuniões políticas. Nas eleições parlamentares de novembro de 2010 (certamente manchadas por fraudes), 80% das cadeiras da Assembléia ficaram com o partido governista. A Irmandade não conseguiu um assento sequer.
Apoio e adesão - Sufocados por décadas de repressão, os grupos opositores possuem uma base popular restrita no Egito. Já a Irmandade Muçulmana, embora ilegal e com menos importância do que no passado, tem grande apoio entre as massas. Segundo Carrie Rosefsky Wickham, professora do departamento de Ciências Políticas da Universidade de Emory, em Atlanta, a aprovação popular do grupo estaria entre 20 e 40% - embora não existam dados oficiais que comprovem os números.
Em entrevista ao site de VEJA, o neto do fundador do movimento, Tariq Ramadan, afirma que a Irmandade não é um todo coeso. Ela abriga tradicionalistas da primeira geração, reformistas seduzidos pelo exemplo da revolução turca e radicais que desejam a imposição do islã pela violência. “Por trás da fachada de uma organização unificada e hierarquizada, existem linhas contraditórias, e não há um prognóstico fechado para o futuro do movimento”, diz ele.
Carrie e Ramadan concordam na avaliação de que a Irmandade não espera assumir o poder no curto prazo. "O repúdio à corrupção do regime de Mubarak era de fato um dos motores do movimento e, para se ver livre desse regime, a Irmandade buscará, ao menos num primeiro momento, partilhar o poder com outros grupos representativos da sociedade egípcia", diz Carrie. De acordo com Ramadan, as alas moderadas do movimento querem participar processo político e ter um papel no período de transição, mas sabem que não possuem representatividade suficiente para assumir o poder no momento
Confira a linha do tempo da Irmandade Muçulmana em http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/a-irmandade-muculmana
Texto II
‘É a vez do movimento liberal no Egito’, aposta escritor
Em livro publicado meses antes da queda de Mubarak, o egípcio Tarek Osman previu uma revolução com origem na classe média e liderada pelos jovens
Ao lançar o livro Egypt on the Brink: From Nasser to Mubarak (O Egito por um triz: De Nasser a Mubarak - tradução livre -, da editora da Univerdade de Yale, dos Estados Unidos), em novembro de 2010, o escritor egípcio Tarek Osman não imaginava que uma revolução forte o suficiente para derrubar o presidente Hosni Mubarak aconteceria tão rapidamente. Mas em suas pesquisas históricas encontrou pistas que previam que uma erupção popular estava prestes a ocorrer.
Evitando uma cronologia linear, Osman explora as principais transformações pelas quais o Egito passou desde a queda do rei Farouk, em 1952, passando pelos regimes de Gamal Abdel Nasser (novembro de 1954 - setembro de 1970), Anuar Sadat (outubro de 1970 - outubro de 1981) e Hosni Mubarak (outubro de 1981 - fevereiro de 2011). Dedicada a leigos, esta é uma das poucas obras que abrangem a história atual do Egito, depois que o glamour do país deu lugar à superpopulação e à pobreza.
Evitando uma cronologia linear, Osman explora as principais transformações pelas quais o Egito passou desde a queda do rei Farouk, em 1952, passando pelos regimes de Gamal Abdel Nasser (novembro de 1954 - setembro de 1970), Anuar Sadat (outubro de 1970 - outubro de 1981) e Hosni Mubarak (outubro de 1981 - fevereiro de 2011). Dedicada a leigos, esta é uma das poucas obras que abrangem a história atual do Egito, depois que o glamour do país deu lugar à superpopulação e à pobreza.
O Egito tem atualmente mais de 80 milhões de habitantes, sendo que 30 milhões deles estão abaixo da linha de pobreza. O rápido crescimento populacional também explica o rejuvenescimento da população: o país conta com cerca de 45 milhões de jovens de menos de 30 anos. “Se não fossem os jovens, as demonstrações provavelmente não teriam acontecido nessa intensidade”, pontua o escritor, que estudou em universidades americana e italiana. Para ele, “o momento agora não é dos fundamentalistas, mas do movimento liberal no Egito".
Leia a seguir a entrevista com Tarek Osman na íntegra:
Há pistas na história do Egito que explicam os recentes protestos que derrubaram Mubarak?
Houve uma série de fatores que resultou nessa revolta, muitos deles são ligados a uma transformação na classe média. Na era Nasser, esse grupo contava, acomodado, com o apoio econômico de um governo assistencialista. Depois disso, com Sadat e Mubarak, o governo gradualmente começou a mudar sua estratégia econômica, abrindo espaço para a iniciativa privada. Isso levou naturalmente a uma grande transformação na qualidade de vida dos trabalhadores. Sem as garantias empregatícias do governo, setores tradicionais do grupo, como professores, médicos e engenheiros, começaram a sofrer problemas financeiros. Consequentemente, a legitimidade do regime também ficou abalada, reduzindo a tolerância das pessoas em relação àquela aparente democracia em que eles não tinham qualquer participação real.
No seu livro, o senhor dedica um capítulo inteiro aos jovens egípcios, que representam uma grande porcentagem da população do país e foram os protagonistas dos distúrbios. De que forma esse fator demográfico também colaborou para a queda do presidente?
Eu diria que esse é o ponto mais importante. A população do país praticamente duplicou nos últimos 30 anos. Quando Mubarak chegou ao poder, em 1981, esse número não passava de 45 milhões de pessoas. Hoje, os egípcios já somam mais de 82 milhões, sendo que mais de 45 milhões deles são jovens - todos em busca de se beneficiar nessa transição socio-econômica. O ímpeto de mudanças de uma população tão jovem assim, somado à crescente pressão sobre a classe média e ao questionamento geral sobre a legitimidade do governo, resultou nas recentes revoltas, organizadas pelas redes sociais. Na minha opinião, se não fossem os jovens, as demonstrações provavelmente não teriam acontecido nessa intensidade.
Os opositores ao governo Mubarak sempre foram duramente reprimidos. Por que a população se sentiu forte o suficiente para manifestar com tanta força desta vez?
É importante destacar que não foi a oposição política do Egito, reprimida há décadas, que se movimentou para as manifestações. Quem iniciou a revolução foram cidadãos comuns, especialmente de setores da classe média, representados pelos jovens egípcios, e não por qualquer partido político. Há quem diga que o que impulsionou a revolta foram as eleições parlamentares de novembro de 2010, acusadas de terem sido fraudadas por Mubarak, mas eu acredito que o principal catalisador foi a pressão socio-econômica em cima da classe média, que precisava ser aliviada.
Como foi a experiência de estar entre os egípcios no dia em que Mubarak renunciou?
Tive muita sorte de não precisar sair do país nas últimas cinco semanas. Foi um momento histórico, além de ter sido bastante inspirador. Principalmente pelo fato de aquelas milhares de pessoas representarem um número enorme de segmentos da sociedade - os manifestantes não estavam à frente de um único grupo ideológico. Acho que por isso a revolta foi tão poderosa a ponto de derrubar um regime.
Leia a seguir a entrevista com Tarek Osman na íntegra:
Há pistas na história do Egito que explicam os recentes protestos que derrubaram Mubarak?
Houve uma série de fatores que resultou nessa revolta, muitos deles são ligados a uma transformação na classe média. Na era Nasser, esse grupo contava, acomodado, com o apoio econômico de um governo assistencialista. Depois disso, com Sadat e Mubarak, o governo gradualmente começou a mudar sua estratégia econômica, abrindo espaço para a iniciativa privada. Isso levou naturalmente a uma grande transformação na qualidade de vida dos trabalhadores. Sem as garantias empregatícias do governo, setores tradicionais do grupo, como professores, médicos e engenheiros, começaram a sofrer problemas financeiros. Consequentemente, a legitimidade do regime também ficou abalada, reduzindo a tolerância das pessoas em relação àquela aparente democracia em que eles não tinham qualquer participação real.
No seu livro, o senhor dedica um capítulo inteiro aos jovens egípcios, que representam uma grande porcentagem da população do país e foram os protagonistas dos distúrbios. De que forma esse fator demográfico também colaborou para a queda do presidente?
Eu diria que esse é o ponto mais importante. A população do país praticamente duplicou nos últimos 30 anos. Quando Mubarak chegou ao poder, em 1981, esse número não passava de 45 milhões de pessoas. Hoje, os egípcios já somam mais de 82 milhões, sendo que mais de 45 milhões deles são jovens - todos em busca de se beneficiar nessa transição socio-econômica. O ímpeto de mudanças de uma população tão jovem assim, somado à crescente pressão sobre a classe média e ao questionamento geral sobre a legitimidade do governo, resultou nas recentes revoltas, organizadas pelas redes sociais. Na minha opinião, se não fossem os jovens, as demonstrações provavelmente não teriam acontecido nessa intensidade.
Os opositores ao governo Mubarak sempre foram duramente reprimidos. Por que a população se sentiu forte o suficiente para manifestar com tanta força desta vez?
É importante destacar que não foi a oposição política do Egito, reprimida há décadas, que se movimentou para as manifestações. Quem iniciou a revolução foram cidadãos comuns, especialmente de setores da classe média, representados pelos jovens egípcios, e não por qualquer partido político. Há quem diga que o que impulsionou a revolta foram as eleições parlamentares de novembro de 2010, acusadas de terem sido fraudadas por Mubarak, mas eu acredito que o principal catalisador foi a pressão socio-econômica em cima da classe média, que precisava ser aliviada.
Como foi a experiência de estar entre os egípcios no dia em que Mubarak renunciou?
Tive muita sorte de não precisar sair do país nas últimas cinco semanas. Foi um momento histórico, além de ter sido bastante inspirador. Principalmente pelo fato de aquelas milhares de pessoas representarem um número enorme de segmentos da sociedade - os manifestantes não estavam à frente de um único grupo ideológico. Acho que por isso a revolta foi tão poderosa a ponto de derrubar um regime.
Seu livro foi lançado em novembro de 2010. O senhor imaginou que uma revolta de tais proporções fosse estourar poucos meses depois?
Se eu dissesse que imaginava, estaria mentindo. Acho que muitas pessoas, inclusive eu, previram uma erupção no Egito, com origem na classe média e liderada pelos jovens. Para mim, isso certamente estava prestes a acontecer, mas quando, exatamente, era difícil de se prever. É certo que a idade de Mubarak estava em nossos pensamentos - ele fará 84 anos -, além dos fatores que já mencionei. Diante de qualquer fraqueza no sistema, certamente se iniciaria uma revolta. O que podemos dizer é que a Tunísia e as últimas eleições parlamentares abriram as portas para essa erupção acontecer.
De que forma a era Mubarak se diferencia das outras passadas, de Nasser e Sadat, em termos democráticos e de participação da oposição?
O regime foi muito mais aberto economicamente do que o de Nasser, o que foi necessário com o rápido crescimento da população. Pela primeira vez em toda a história, o setor privado no Egito se tornou o maior empregador dos egípcios. Até então, era somente o setor público que empregava. Com isso, as pessoas se tornaram economicamente independentes do regime e, consequentemente, aptas a escutar suas próprias reclamações e a se opor ao governo. O estabilishment que sempre colocou os militares no topo, embora ainda exista, cedeu espaço nos últimos 10 anos também para grandes financiadores, numa sociedade cada vez mais capitalista, o que colaborou para o enfraquecimento do regime.
O senhor acredita que o Exército cumprirá com suas promessas na transição para a democracia?
O Conselho Superior das Forças Armadas repetiu três vezes publicamente que vai garantir eleições livres e democráticas. Além disso, os militares têm um enorme respeito em relação aos egípcios. Eles ganharam até mais respeito nas últimas três semanas, pois quase não intervieram nas manifestações e não se opuseram à população. Acho improvável que eles façam algo que abale esse respeito que conquistaram. Se a classe média, especialmente os jovens egípcios, tem um ímpeto para mudanças, com o apoio de outros muitos milhões de pessoas, não acredito que o Exército se oponha a essas aspirações.
No seu livro, o senhor escreve bastante sobre religião. O quão importante ela é para a política no Egito?
É extremamente importante. Nas últimas décadas, uma série de sectarismos surgiu no Egito. Essas divisões se intensificaram nos últimos dez anos, resultando em violentos confrontos entre segmentos religiosos no país. No primeiro dia de 2011, por exemplo, dezenas de cristãos morreram em Alexandria, em um atentado. Com isso, a sociedade egípcia ficou amedrontada, depois de muitos anos de paz entre cristãos e islâmicos. A classe média, especialmente, por causa das tensões, se tornou mais adepta da retórica nacionalista, deixando de lado a islâmica. Apesar de a Irmandade Muçulmana continuar sendo o maior movimento opositor no país, é importante ressaltar que a revolta que vimos nas últimas semanas foi impulsionada por um nacionalismo secular, e não pelo idealismo islâmico.
A Irmandade Muçulmana, embora garanta que não apresentará um candidato à Presidência, já anunciou a criação de um partido político após as reformas na Constituição. Quais são as aspirações do movimento, em sua opinião?
O grupo foi por muitos anos o mais organizado e poderoso da oposição egípcia. O fato de que querer formar um partido político era previsível. Porém, a Irmandade Muçulmana não é um grupo coerente e homogêneo, há uma série de divisões dentro dele, e a atitude de cada um é diferente. Da mesma forma em que existem os conservadores, há também milhares de seguidores jovens. Nas eleições de novembro de 2010, essas tensões internas ficaram muito claras. O momento agora, como disse, não é dos fundamentalistas, mas do movimento liberal no Egito.
Se eu dissesse que imaginava, estaria mentindo. Acho que muitas pessoas, inclusive eu, previram uma erupção no Egito, com origem na classe média e liderada pelos jovens. Para mim, isso certamente estava prestes a acontecer, mas quando, exatamente, era difícil de se prever. É certo que a idade de Mubarak estava em nossos pensamentos - ele fará 84 anos -, além dos fatores que já mencionei. Diante de qualquer fraqueza no sistema, certamente se iniciaria uma revolta. O que podemos dizer é que a Tunísia e as últimas eleições parlamentares abriram as portas para essa erupção acontecer.
De que forma a era Mubarak se diferencia das outras passadas, de Nasser e Sadat, em termos democráticos e de participação da oposição?
O regime foi muito mais aberto economicamente do que o de Nasser, o que foi necessário com o rápido crescimento da população. Pela primeira vez em toda a história, o setor privado no Egito se tornou o maior empregador dos egípcios. Até então, era somente o setor público que empregava. Com isso, as pessoas se tornaram economicamente independentes do regime e, consequentemente, aptas a escutar suas próprias reclamações e a se opor ao governo. O estabilishment que sempre colocou os militares no topo, embora ainda exista, cedeu espaço nos últimos 10 anos também para grandes financiadores, numa sociedade cada vez mais capitalista, o que colaborou para o enfraquecimento do regime.
O senhor acredita que o Exército cumprirá com suas promessas na transição para a democracia?
O Conselho Superior das Forças Armadas repetiu três vezes publicamente que vai garantir eleições livres e democráticas. Além disso, os militares têm um enorme respeito em relação aos egípcios. Eles ganharam até mais respeito nas últimas três semanas, pois quase não intervieram nas manifestações e não se opuseram à população. Acho improvável que eles façam algo que abale esse respeito que conquistaram. Se a classe média, especialmente os jovens egípcios, tem um ímpeto para mudanças, com o apoio de outros muitos milhões de pessoas, não acredito que o Exército se oponha a essas aspirações.
No seu livro, o senhor escreve bastante sobre religião. O quão importante ela é para a política no Egito?
É extremamente importante. Nas últimas décadas, uma série de sectarismos surgiu no Egito. Essas divisões se intensificaram nos últimos dez anos, resultando em violentos confrontos entre segmentos religiosos no país. No primeiro dia de 2011, por exemplo, dezenas de cristãos morreram em Alexandria, em um atentado. Com isso, a sociedade egípcia ficou amedrontada, depois de muitos anos de paz entre cristãos e islâmicos. A classe média, especialmente, por causa das tensões, se tornou mais adepta da retórica nacionalista, deixando de lado a islâmica. Apesar de a Irmandade Muçulmana continuar sendo o maior movimento opositor no país, é importante ressaltar que a revolta que vimos nas últimas semanas foi impulsionada por um nacionalismo secular, e não pelo idealismo islâmico.
A Irmandade Muçulmana, embora garanta que não apresentará um candidato à Presidência, já anunciou a criação de um partido político após as reformas na Constituição. Quais são as aspirações do movimento, em sua opinião?
O grupo foi por muitos anos o mais organizado e poderoso da oposição egípcia. O fato de que querer formar um partido político era previsível. Porém, a Irmandade Muçulmana não é um grupo coerente e homogêneo, há uma série de divisões dentro dele, e a atitude de cada um é diferente. Da mesma forma em que existem os conservadores, há também milhares de seguidores jovens. Nas eleições de novembro de 2010, essas tensões internas ficaram muito claras. O momento agora, como disse, não é dos fundamentalistas, mas do movimento liberal no Egito.
Existe a possibilidade de o Egito se tornar uma ditadura islâmica como o Irã?
No futuro, vamos ter um partido que represente a Irmandade Muçulmana e o Islã. Ele possivelmente terá uma forte representatividade no Parlamento, mas isso não significa que vai eleger um presidente ou ter um de seus membros como uma poderosa autoridade do país. Atualmente, já se vê muitos outros partidos políticos emergindo, especialmente do movimento liberal. Como o panorama político agora é muito mais aberto e livre, eles poderão se organizar e criar uma concorrência que a Irmandade nunca teve.
No futuro, vamos ter um partido que represente a Irmandade Muçulmana e o Islã. Ele possivelmente terá uma forte representatividade no Parlamento, mas isso não significa que vai eleger um presidente ou ter um de seus membros como uma poderosa autoridade do país. Atualmente, já se vê muitos outros partidos políticos emergindo, especialmente do movimento liberal. Como o panorama político agora é muito mais aberto e livre, eles poderão se organizar e criar uma concorrência que a Irmandade nunca teve.
Confira o infográfico sobre os principais pontos do livro em http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/%E2%80%98e-a-vez-do-movimento-liberal-no-egito%E2%80%99-diz-escritor
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